Neonatologia: Cremerj conclui relatório sobre inspeção em hospital de São Gonçalo

 06/07/2012

Publicado n´O Dia (04/07/12):
O relatório da inspeção do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) realizada na maternidade do Hospital da Mulher Gonçalense (HMG) aponta que a unidade funciona sem registro no Conselho. Além disso, o laudo constatou que o hospital não possui comissões obrigatórias, inclusive a Comissão de Infecção Hospitalar. A fiscalização, que aconteceu na segunda-feira, foi motivada pelas denúncias de morte de nove bebês na maternidade da unidade no último mês e atendeu uma solicitação da Polícia Civil. Dentro das conclusões do documento, o Conselho registrou que os plantões estão completos, porém o número de obstetras é insuficiente para atender o grande volume de pacientes que chegam à maternidade.
Em relação à prestação de serviços, alguns exames complementares indispensáveis, como ultrassonografia com Doppler e cardiotocografia não estão sendo realizados na unidade. As gestantes precisam ser removidas para clínicas conveniadas.
A unidade é referência na região para gestantes de alto risco, mas não dispõe de apoio diagnóstico e equipe profissional suficiente para o atendimento a que se propõem. Outro complicador é a ausência de médicos específicos para atendimento dos pacientes internados nos segundo e terceiro pavimentos, sendo acionados os médicos da emergência em caso de intercorrências, o que também contraria as regras do Conselho. Há deficiências estruturais na sala de acolhimento e na sala de cirurgia que não atendem às normas da Anvisa, devendo a Vigilância Sanitária ser acionada para avaliação das condições de funcionamento das salas de parto. A direção técnica e a chefe da UTI foram notificados a apresentar para ao Cremerj os prontuários das mães e dos respectivos recém-nascidos que vieram a óbito na UTI neonatal no último mês. O relatório será encaminhado ao Ministério Público Estadual, à Vigilância Sanitária e à delegacia responsável pela investigação do caso.  
Nota: infelizmente, a inexistência de CCIH é mais comum do que imaginamos, e é preciso ocorrer a morte de bebês para que o assunto seja levado a público. [LFW]

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