Falhas evitáveis em hospitais matam quase três brasileiros a cada cinco minutos

Falhas evitáveis em hospitais matam quase três brasileiros a cada cinco minutos

Publicado em:  25/05/2018

Todo dia, 829 brasileiros falecem em decorrência de condições adquiridas nos hospitais, o que equivale a três mortos a cada cinco minutos. Os dados estão no primeiro Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil, do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) e da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Para compararmos, o câncer mata 480 a 520 brasileiros por dia, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Apenas as doenças cardiovasculares, consideradas a principal causa de morte no mundo, matam mais pessoas no Brasil, são 950 brasileiros por dia, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia.

O falecimento de brasileiros em hospitais públicos ou privados como consequência de um “evento adverso” é resultado, por exemplo, de erros de dosagem ou aplicação de medicamentos, uso incorreto de equipamentos e infecção hospitalar, entre inúmeros outros casos. Não significa, necessariamente, que houve um erro, negligência ou baixa qualidade, mas trata-se de incidente que poderia ter sido evitado, na maior parte das vezes. Além do óbito, os eventos adversos também podem gerar sequelas físicas e sofrimento psíquico, além de aumentar o tempo de permanência do paciente no hospital, elevando os custos geral e assistencial.

Esta situação não é exclusividade brasileira, ela retrata um contexto global de falhas da assistência à saúde nos diversos processos hospitalares. A diferença é que, no caso brasileiro, apesar dos esforços, há pouca transparência sobre essas informações e, sem clareza, fica difícil enfrentar o problema. É necessário mensurar o desempenho dos prestadores de serviços hospitalares, garantir a qualidade com indicadores claros e amplamente conhecidos e prover informações ao paciente, para que ele possa decidir, com base em evidências, a quem vai entregar os cuidados com a sua saúde.

No mundo, de acordo com o documento, ocorrem anualmente 421 milhões de internações hospitalares e 42,7 milhões de eventos adversos, um problema de saúde pública reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Nos Estados Unidos, país com população de quase 325 milhões de pessoas, os eventos adversos causam 400 mil óbitos por ano, ou 1.096 por dia, o que faz com que esta seja a terceira causa de morte mais comum naquele país, atrás apenas de doenças cardiovasculares e do câncer.

O Anuário aponta quais são os eventos adversos mais frequentes:

  • As vítimas mais frequentes são pacientes com menos de 28 dias de vida ou mais de 60 anos.
  • Infecções hospitalares respondem por 9,7% das ocorrências. As condições mais comuns são: lesão por pressão, infecção urinária associada ao uso de sonda vesical, infecção de sítio cirúrgico, fraturas ou lesões decorrentes de quedas ou traumatismos dentro do hospital, trombose venosa profunda ou embolia pulmonar e infecções relacionadas ao uso de cateter venoso central.



Fonte: Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 22 de novembro de 2017